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BlogdosCaloiros

"Em toda a infância houve um jardim - isto é coisa de poetas" Agustina Bessa-Luís | BlogdosCaloiros is my blog in Portuguese Language curriculum. It aims to enhance the lessons using ICT and captivate cultural curiosity

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"Em toda a infância houve um jardim - isto é coisa de poetas" Agustina Bessa-Luís | BlogdosCaloiros is my blog in Portuguese Language curriculum. It aims to enhance the lessons using ICT and captivate cultural curiosity

Vamos ler ? A Luz de Newton de Hélia Correia

 

 

A Luz de Newton

Hélia Correia

Relógio D'Água, 2015

http://www.relogiodagua.pt/

 

Hélia Correia é uma escritora que muito admirámos. Já lhe dedicámos um post em Junho 2015 Hélia Correia : Sugestões de Leituras onde propusemos várias obras de literatura juvenil que aconselhamos vivamente para os currículos de Língua Portuguesa.

 

Desta vez, vimos complementar a listagem já apresentada  com uma outra obra. «A Luz de Newton», Hélia Correia (2.ª edição, revista e aumentada), com ilustrações de Susana Oliveira que saiu em Dezembro de 2015.

 

 

heliacorreia-luznewton2.JPG

 

A Luz de Newton (contracapa)

Hélia Correia

Relógio D'Água, 2015

http://www.relogiodagua.pt/

 

Sinopse:

 

«O Vermelho fechou o livro com violência. E encarou severamente o Amarelo. As outras cores, em volta, suspiraram. Adivinhava‑se um momento desconfortável. Direi mais: um momento de tensão. Direi mais: um momento de combate. O Amarelinho tentou cruzar as pernas para tornar a posição mais consistente, mas não tinha joelhos para dobrar. As cores olhavam para o Vermelho, à espera. Ele fora eleito para as representar. E o Vermelho estava mesmo muito vermelho sob o efeito da cólera:
— Estamos à espera de uma explicação.
— Explicação… — repetiu o Amarelinho, para fazer tempo.
— Explicação de quê?
As cores pigarrearam e mexeram-se. Começaram até a segredar. Mas o Vermelho impôs a sua autoridade.
— Não te faças de parvo. Sabes bem.
Tirou de um saco um livro muito fino e exibiu-o a todos, como vira fazer num filme com uma prova em tribunal.
— A Luz de Newton, primeira edição. As sete cores do arco-íris: somos nós.
— Sim, somos todas nós — disse Liliana.
— E ocupamos — afirmou o Verde — praticamente o mesmo espaço cada uma.»

 

Há ainda outro aspecto que vai motivar os alunos para a leitura deste livro. A leitura digital. É verdade!

 

A editora Relógio D'Água disponibiliza online as primeiras páginas que podem ser lidas aqui. Também a Fnac proporciona a leitura digtal de A Luz de Newton aqui

 

"Era uma vez um homem que nascera para sábio. Ora, às vezes, tal facto aborrecia‑o muito. Sempre com o nariz enfiado em livros velhos, sempre a escrevinhar relatórios para enviar aos outros sábios que moravam longe — naquele tempo não havia telefone —, sempre a pensar e a repensar, a fazer contas, a espreitar para os céus e para os caldeirões, que coisa! Então não tinha direito a descansar?

 

Parou e foi abrir uma janela. O sol — se bem que fosse um sol inglês, estava cheio de força naquele dia — entrou por ali dentro, todo entusiasmado, porque era muito raro permitirem‑lhe fazer uma vi‑ sita àquele laboratório. Com a pressa, tropeçou contra um prisma de vidro e desfez‑se nas suas sete cores. Surgiu um arco‑íris na parede.

 

O sábio percebeu tudo o que se passara e ficou ainda mais aborrecido:

 

— Pronto! Agora estraguei o mistério que havia no Arco‑Íris do céu! Não passa de um espectro da luz solar que se refrata nas gotinhas de água. Acabaram‑se as histórias sobre as panelas de ouro escondidas no lugar em que ele toca na terra. Ninguém mais verá nele a túnica de Íris, mensageira dos deuses, nem o sinal da paz entre Jeová e os homens. Mas que grande chatice!

 

Para desanuviar, foi dar um passeiozinho. Mas, como estava pouco habituado a andar, depressa se cansou. Sentou‑se à sombra de uma macieira. E vai, caiu‑lhe um fruto em cima da cabeça. Estava a saboreá‑lo com delícia quando gritou de novo:

 

— Que chatice!

 

Descobrira, ali mesmo, as leis da gravidade."

 

in A Luz de Newton, Hélia Correia, Relógio D'Água (online)

 

Wow! É mesmo bom, ter acesso às tecnologias, não é mesmo? É o que sempre dizia aos alunos quando os iniciei nas Tecnologias Educativas nos currículos de Língua Portuguesa e Francês LE corria o ano de 1998.

 

Como descobriram de imediato é história efabulada de Isaac Newton. Hélia Correia transforma em ficções a refracção da luz no prisma. O vermelho, o amarelo, o laranja, o verde, o azul, o lilás, e o violeta são agora outras tantas histórias, apoiadas nas ilustrações de Susana Oliveira.

 

 

heliacorreia7.jpg

 

 

A Luz de Newton, 1ª edição

Hélia Correia

ilustrações Alice Aurélio

Relógio D'Água, 1988

http://www.bibliotecasobral.com.pt/

 

A Luz de Newton de Hélia Correia teve uma 1ª edição em 1988, ilustrações de Alice Aurélio. É natural que muitas bibliotecas escolares tenham esta primeira edição.

 

Actividades:

 

  • Pesquisar sobre Isaac Newton e a sua teoria das cores.
  • Requisitar  o livro (1ª edição) na Biblioteca da escola para possível apreciação das diferenças (ilustrações, outros).
  • Ler a edição que for mais acessível aos alunos (compra ou requisição biblioteca escola).

 

A  Professora GSouto

 

10.03.2016

 

Licença Creative Commons

Tradições & histórias : São Martinho !

 

doodle-sao-martinho.gif

 

Google doodle | S. Martinho

www.google.pt

 

Google celebra hoje, 11 Novembro,  o Dia de São Martinho com um Doodle alusivo à tradição portuguesa.

 

S. Martinho é celebrado a 11 de Novembro, data em que o santo morreu  em Candes, no ano de 397, e foi a enterrar em Tours (França). 

 

O dia de São Martinho é celebrado em Portugal, na Galiza e ainda por algumas zonas de Espanha, nomeadamente nas Astúrias. E um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país.

 

Em Portugal é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho. Como diz o ditado popular, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

 

Google Doodle:

 

Neste Doodle, podemos ver o lettering Google substituído por pedaços de madeira e ramos de árvores, e duas das letras 'Google' (a vogal o) foram substituídas por duas castanhas assadas.

 

O Doodle só é visível em Portugal. É pois uma homenagem às nossas tradições.

 

 

Google doodle | S. Martinho

www.google.pt

 

Tradições:

 

Celebra-se em Portugal, na Galiza e em algumas localidades das Astúrias. E várias localidades europeias.

 

A realização de magustos (pessoas juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam as castanhas), fazem-se acompanhar a degustação de castanhas assadas com jeropiga (uma espécie de bebida doce e alcoolizada) e de saltar a fogueira. Tudo isto faz parte da tradição.

 

 

 

 

credits : cdn.com

http://image.slidesharecdn.com/

 

Em algumas aldeias e pequenas vilas, esta tradição ainda se cumpre. Nas cidades, as pessoas assam as castanhas em casa e comem-nas em família.

 

Nós celebramos este dia de S. Martinho (falo das aulas curriculares de Língua Portuguesa) com uma actividade de escrita criativa livre.

 

Elaboração de quadras temáticas:

 

E foram muitos os 'jovens poetas' que se revelaram. As quadras foram expostas em placares nas paredes do corredor principal da escola.

 

 

 

Maria Castanha

António Torrado

 

Leitura digital

 

Também publiquei um post neste blogue com histórias alusivas a esta tradição, escritas por um dos mais conhecidos autores portugueses de literatura infanto-juvenil, António Torrado. A reler Histórias de S. Martinho : António Torrado

 

Para todos, uma excelente Noite de S. Martinho! Saltem a fogueira! E é óbvio, nada de jeropiga, só castanhas!

 

Ah! Esta noite de S. Martinho tem que ser muito especial.  Reparem  bem... 11.11.11 !

 

Boa sorte 

 

 A Professora GSouto

 

11.11.2011

 

Licença Creative Commons

Histórias de São Martinho : António Torrado : Maria Castanha

 

 

antonio-torrado-maria-castanha.jpg

 

 

A Maria Castanha (excerto)

António Torrado

ilustração: Cristina Malaquias

slide: Sónia Pinheiro

antonio-torrado-maria-castanha2.jpg

 

 

António Torrado, Maria Castanha

ilustração: Cristina Malaquias

 http://www.portaldaliteratura.com/

 

O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.

Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac,crac - debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.

Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.

Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

- Como te chamas? - perguntaram-lhe.

- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .

- Que engraçado... Maria Castanha! Queres brincar?

- Quero.

Foram brincar ao jogo do apanhar. A Maria Castanha corria mais do que todos.

- Quem me apanha? Ninguém me apanha! Ninguém apanha a Maria Castanha!

Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele. Pimba! O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão. A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.

- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.

- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.

- Eu ajudo a apanhar tudo. – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.

E os outros ajudaram também. Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.

- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.

- Foram à procura de emprego.

- E tu?

- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.

- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.

E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos. Depois, disse:

- Quando os amigos se encontram, é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?

- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.

- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há. – disse Maria Castanha.

- Pois vais saber como é bom.

E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume. Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!

- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.

-Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.

Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem. E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom, é. – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.

- Se me queres ajudar, podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?

A Maria Castanha não sabia mas aprendeu. É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.

 

António Torrado, Maria Castanha

 

Actividades:

 

  • Do mesmo autor, poderás ler um excerto de "A Última Castanha"  aqui
  • Criar Quadras de São Martinho.

 

 Parabéns ! Muitos Parabéns! 

 

Os alunos das turmas 6F/ 6G/ 6H ... responderam efusivamente, e num curto espaço de tempo, ao desafio Quadras de S. Martinho!

 

O placar de acesso à sala de Professores ficou bem mais bonito com as vossas quadras e desenhos alusivos a esta época de Festa de S. Martinho.

 

Mais uma vez me sinto muito orgulhosa dos meus alunos!

 

Bom S. Martinho !

 

A Professora GSouto

 

11.11.2008

 

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