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BlogdosCaloiros

"Em toda a infância houve um jardim - isto é coisa de poetas" Agustina Bessa-Luís | BlogdosCaloiros is my blog in Portuguese Language curriculum. It aims to enhance the lessons using ICT and captivate cultural curiosity

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"Em toda a infância houve um jardim - isto é coisa de poetas" Agustina Bessa-Luís | BlogdosCaloiros is my blog in Portuguese Language curriculum. It aims to enhance the lessons using ICT and captivate cultural curiosity

Dia de São Martinho : história & tradições !

 

 

 

O dia de São Martinho é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país.

 

Google celebrou esta tradição portuguesa com um doodle alusivo em 11 Novembro 2011, lembram?

 

Em Portugal é tradição fazer-se um grande magusto, beber-se água-pé e jeropiga. Esta é também uma altura em que se prova o novo vinho, produzido com a colheita do ano anterior.

 

 

 

 

Aforismos:

 

  • “No dia de São Martinho, vai à adega e prova-se o vinho”.
  • "Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho."
  • "Mais vale um castanheiro do que um saco de dinheiro."
  • "Se o Inverno não erra caminho, temo-lo pelo São Martinho."
  • "Pelo São Martinho, semeia favas e linho."

 

http://image.slidesharecdn.com/

 

Tradições:

 

De acordo com alguns autores, como José Leite de Vasconcelos e Ernesto Veiga de Oliveira, a realização dos magustos remonta a uma antiga tradição de comemoração do Dia de Todos os Santos, onde se acendiam fogueiras e se assavam castanhas. 

 

São Martinho na Europa:

 

O dia de São Martinho  é festejado um pouco por toda a Europa, mas as celebrações variam de país para país.

 

Na Aemanha, acendem-se fogueiras e fazem-se procissões. Em Espanha matam-se porcos, tradição que deu origem ao ditado popular “a cada cerdo le llega su San Martín” (“cada porco tem o seu São Martinho”). No Reino Unido existe a expressão “verão de São Martinho” que, apesar de já raramente utilizada, está também ligada com a crença de que o tempo melhora nos dias que antecedem o feriado.

 

 

 

 

Martin de Tours/ São Martinho

https://upload.wikimedia.org/

 

História:

 

São Martinho, ou Martinho de Tours, nasceu por volta de 316 na antiga cidade de Savaria na Panónia, uma antiga província na fronteira do Império Romano, na actual Hungria.

 

Filho de um comandante romano, cresceu na região de Pavia, em Itália, em uma família pagã. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha penas quinze anos. Viajou por todo o Império Romano do Ocidente.

 

Apesar de ter recebido uma educação pagã, foi em adolescente que Martinho descobriu o Cristianismo. Mas só mais tarde, em 356, é que foi baptizado, depois de ter abandonado o exército.

 

Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da actual França), que o ordenou diácono e presbítero, regressando de seguida a Panónia, onde converteu a mãe. Mudou-se depois para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário. Isolado, terá passado algum tempo na ilha da Galinária, ao largo da costa italiana.

 

 

 

 

Abbaye Saint Martin

Ligugé/ França

https://upload.wikimedia.org/

 

 

De volta à Gália, foi perto de Poitiers que fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, na região de Ligugé.

 

Conhecido pelos seus milagres, o santo atraía multidões. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia na reclusão.

 

 

Abbaye de Marmoutier

Loire/ França

https://upload.wikimedia.org/

 

Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais na região da Gália, onde atendia tanto ricos como pobres.

 

Morreu a 8 de Novembro de 397 em Candes e foi sepultado a 11 de Novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.

 

É nesta data, 11 Novembro, que se comemora o dia de São Martinho. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é conhecido pelo “verão de São Martinho” e é muitas vezes associado à conhecida lenda de São Martinho.

 

SaoMartinho3.jpg

 

 

São Martinho

 http://www.integratedcatholiclife.org/

 

 

Lenda de São Martinho:

 

Num dia frio e chuvoso de inverno, Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada que lhe pudesse dar, pegou na espada e cortou o manto ao meio, cobrindo-o com uma das partes.

 

Mais à frente, voltou a encontrar outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. 

 

Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias.

 

Na noite seguinte, Cristo apareceu a Martinho num sonho. Usando o manto do mendigo, voltou-se para a multidão de anjos que o acompanhavam e disse em voz alta: “Martinho, ainda catecúmeno [que não foi baptizado], cobriu-me com esta veste”.

 

 

 

 

 Maria Castanha

António Torrado

http://blogdoscaloiros.blogs.sapo.pt/

 

 

Ler : Histórias de São Martinho:

 

António Torrado escreveu duas histórias alusivas ao São Martinho: Maria Castanha e A Última Castanha  que poderão ser lidas online no nosso post de 11 Novembro 2008.

 

 

antonio-torrado-ultima-castanha.jpg

 

A Última Castanha

António Torrado

http://www.sitiodolivro.pt/

 

 

Alice Vieira, "Manhas e Patranhas, Ovos e Castanhas" (tradições).

 

 

Actividades:

 

  • São variadas, dependendo do nível etário dos alunos. Aos professores cabe seleccionar as mais adaptadas ao níveis curriculares que leccionam: leituras, expressão escrita criativa, canções, actividades de expressão artistica (artes, música).
  • A programar para posterior apresentação em sala de aula, mediateca.

 

A Professora GSouto

 

10.11.2015

 

Licença Creative Commons

Histórias de São Martinho : António Torrado : Maria Castanha

 

 

antonio-torrado-maria-castanha.jpg

 

 

A Maria Castanha (excerto)

António Torrado

ilustração: Cristina Malaquias

slide: Sónia Pinheiro

antonio-torrado-maria-castanha2.jpg

 

 

António Torrado, Maria Castanha

ilustração: Cristina Malaquias

 http://www.portaldaliteratura.com/

 

O céu estava cinzento e quase nunca aparecia o sol, mas enquanto não chovia os meninos iam brincar para o jardim.

Um jardim muito grande e bonito, com uma grade pintada de verde toda em volta, de modo que não havia perigo de os automóveis entrarem e atropelaremos meninos que corriam e brincavam à vontade, de muitas maneiras: uns andavam nos baloiços e nos escorregas, outros deitavam pão aos patos do lago, outros metiam os pés por entre as folhas secas e faziam-nas estalar – crac,crac - debaixo das botas, outros corriam de braços abertos atrás dos pombos, que se levantavam e fugiam, também de asas abertas.

Era bom ir ao jardim. E mesmo sem haver sol, os meninos sentiam os pés quentinhos e ficavam com as bochechas encarnadas de tanto correr e saltar.

Uma vez apareceu no jardim uma menina diferente: não tinha bochechas encarnadas, mas uma carinha redonda, castanha, com dois grandes olhos escuros e brilhantes.

- Como te chamas? - perguntaram-lhe.

- Maria. Às vezes chamam-me Maria Castanha .

- Que engraçado... Maria Castanha! Queres brincar?

- Quero.

Foram brincar ao jogo do apanhar. A Maria Castanha corria mais do que todos.

- Quem me apanha? Ninguém me apanha! Ninguém apanha a Maria Castanha!

Ela corria tanto. Corria tanto que nem viu o carrinho do vendedor de castanhas que estava à porta do jardim, e foi de encontro a ele. Pimba! O saco das castanhas caiu e espalhou-as todas à reboleta pelo chão. A Maria Castanha caiu também e ficou sentada no meio das castanhas.

- Ah. Minha atrevida! – gritou o vendedor de castanhas todo zangado.

- Foi sem querer – explicaram os outros meninos.

- Eu ajudo a apanhar tudo. – disse Maria Castanha, de joelhos a apanhar as castanhas caídas.

E os outros ajudaram também. Pronto. Ficaram as castanhas apanhadas num instante.

- Onde estão os teus pais? – perguntou o vendedor de castanhas à Maria Castanha.

- Foram à procura de emprego.

- E tu?

- Vinha à procura de amigos.

- Já encontraste: nós somos teus amigos – disseram os meninos.

- Eu também sou – disse o vendedor de castanhas.

E pôs as mãos nos cabelos da Maria Castanha, que eram frisados e fofinhos como a lã dos carneirinhos novos. Depois, disse:

- Quando os amigos se encontram, é costume fazer uma festa. Vamos fazer uma festa de castanhas. Gostam de castanhas?

- Gostamos! Gostamos! – gritaram os meninos.

- Não sei. Nunca comi castanhas, na minha terra não há. – disse Maria Castanha.

- Pois vais saber como é bom.

E o vendedor deitou castanhas e sal dentro do assador e pô-lo em cima do lume. Dali a pouco as castanhas estalavam… Tau! Tau!

- Ai, são tiros? – assustou-se a Maria Castanha, porque vinha de uma terra onde havia guerra.

-Não tenhas medo. São castanhas a estalar com o calor.

Do assador subiu um fumozinho azul-claro a cheirar bem. E azuis eram agora as castanhas assadas e muito quentes que o vendedor deu à Maria Castanha e aos seus amigos.

- É bom, é. – ria-se Maria Castanha a trincar as castanhas assadas.

- Se me queres ajudar, podes comer castanhas todos os dias. Sabes fazer cartuchos de papel?

A Maria Castanha não sabia mas aprendeu. É ela quem enrola o papel de jornal para fazer os cartuchinhos onde o vendedor mete as castanhas que vende aos fregueses à porta do jardim.

 

António Torrado, Maria Castanha

 

Actividades:

 

  • Do mesmo autor, poderás ler um excerto de "A Última Castanha"  aqui
  • Criar Quadras de São Martinho.

 

 Parabéns ! Muitos Parabéns! 

 

Os alunos das turmas 6F/ 6G/ 6H ... responderam efusivamente, e num curto espaço de tempo, ao desafio Quadras de S. Martinho!

 

O placar de acesso à sala de Professores ficou bem mais bonito com as vossas quadras e desenhos alusivos a esta época de Festa de S. Martinho.

 

Mais uma vez me sinto muito orgulhosa dos meus alunos!

 

Bom S. Martinho !

 

A Professora GSouto

 

11.11.2008

 

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