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BlogdosCaloiros

"Em toda a infância houve um jardim - isto é coisa de poetas" Agustina Bessa-Luís | BlogdosCaloiros is my blog in Portuguese Language curriculum. It aims to enhance the lessons using ICT and captivate cultural curiosity

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"Em toda a infância houve um jardim - isto é coisa de poetas" Agustina Bessa-Luís | BlogdosCaloiros is my blog in Portuguese Language curriculum. It aims to enhance the lessons using ICT and captivate cultural curiosity

Lágrimas por Manchester : Como explicar ?

 

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"Estar de bem com a matemática é estar de bem com a vida. Respirar x vezes por hora é fundamental. Existe paz no rosto esculpido de Pitágoras. E a paz não se troca por nada porque inclui tudo o que é necessário."

 

José Luís Peixoto, Abraço

 

o mundo acordou de novo mais triste, hoje ! Manchester, no Reino Unido, foi ferido no coração, na noite de ontem, 22 Maio 2017. Na enorme sala de eventos da cidade, Manchester Arena, onde cerca de 21 000 crianças e adolescentes e seus familiares assistiam a um concerto da jovem pop star norte-americana Ariana Grande. No final do concerto, ouviu-se uma explosão que ocorreu no exterior da sala, já no foyer, onde muitos outros pais aguardavam as filhas e filhos.

 

 

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Pray for Manchester

 

"Despedaçada. Do fundo do meu coração, sinto muito. Não tenho palavras"

 

Ariana Grande, Twitter

 

Mas, no site oficial da pop cantora, nem um curta alusão ao sucedido. Uma prece, palavras de apoio a todos os pais que perderam os filhos, às suas jovens fãs que continuam hospitalizadas? Algo está errado por parte da cantora.

 

No concerto de Ariana Grande estavam, na sua grande maioria, crianças e adolescentes. Infelizmente entre as muitas vítimas, há crianças e adolescentes abaixo dos 16 anos.

 

As duas primeiras vítimas identificadas são duas meninas, uma de oito anos e outra de 15 anos. Nas redes sociais, pais deixam a mensagem com a hashtag #missingmanchester num apelo desesperado para encontrar as filhas, os filhos.

 

 

 

Ariana Grande

@ManchesterArena

 

Testemunhas descreveram que Ariana se despedia do público e as luzes se acendiam no pavilhão, quando uma grande explosão provocou o pânico entre os presentes, que correram desnorteados tentado sair da enrome sala.

 

No entanto, pelo que ouvi nas redes sociais, a direcção do Arena esteve sempre a apoiar os presentes, apelando à calma de modo a não provocar mais vítimas, e confirmando que na sala tudo estava tranquilo. No site oficial do Manchester Arena podem ler-se todos os dias mensagens de condolências, de apoio às vitimas. A útima é:

 

"Always Remmber,

Never Forget

Forever Manchester."

 

O que não se passa no site da pop cantora Ariana Grande! Ariana! Há crianças mortas pelo facto de te amarem e quererem expressar a sua admiração ao estar presentes no teu concerto! 

 

 

Manchester está em todos os meios de comunicação social. Jornais, televisão, redes sociais, internet. Nas redes sociais, sucedem-se as mensagens de #PrayforManchester de todos os internautas. Cantores, artistas, jogadores de futebol, adolescentes, pais, público anónimo.

 

 

 

Manchester Arena

http://www.manchester-arena.com/

 

Perante os nossos olhos tristes, as imagens de ontem à noite, 22 de Maio, e hoje, 23 Maio, massacram os nossos corações. Crianças? Pais que para ver a alegria das filhas e filhas no concerto da sua cantora preferida, são apanhados na saída? 

 

Que humanidade é esta em que vivemos? É a pergunta que martela nosso pensamento.

 

Como é que pessoas que sentem como nós, são capazes de fazer algo tão terrível! Atingir crianças, adolescentes, pais, famílias?

 

 

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Homenagem em Manchester

http://i3.mirror.co.uk/

 

Continuamos sem entender. Não há motivos que levem a matar crianças e adolescentes, mesmo que o façam em nome de algo em que acreditam.

 

Professores, animadores extra-curriculares, pais, educadores em geral, sentem a dificuldade de falar com alunos, educandos sobre o trágico acontecimento que teve lugar ontem à noite, no final o concerto de Ariana Grande, em Manchester.

 

Hoje, amanhã, toda a semana, falaremos nas nossas aulas, em casa, mas sobretudo ouviremos. Sim, ouvir o que os alunos nos querem dizer, deixar que exprimam as emoções sobre o ataque no final do concerto de Ariana Grande, em Manchester.

 

É conveniente, de qualquer modo, preparar alguns recursos pedagógicos para dialogar com os alunos.

 

 

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Ariana Grande, concerto Manchester Arena

 https://www.thesun.co.uk/

 

Que dizer aos alunos : 

 

Pelo facto do atentado ter ocorrido no final de um concerto de um dos ídolos pop das crianças e jovens, faz com que, provavelmente, as crianças e adolescentes se sintam mais identificados e estejam mais sensíveis às notícias, às imagens devastadoras. É também natural que as dúvidas e perguntas em torno deste terrífico acidente vindas da faixa etária a que pertencem, surjam com mais expressão: falar, contar, opinar

 

Os alunos mostrar-se-ão apreensivos, quererão contar o que viram, dar a sua versão, perante o que ouviram nos meios de comunicação social, nas redes sociais que frequentam. E também que ouviram em família.

 

 

 

 

“Neste momento, a questão da violência e do terrorismo estão na ordem do dia e devem ser discutidas. Não é possível abafar a informação e não parece que esconder informação seja a melhor abordagem”.

 

Filipa Silva, psicóloga clínica

 

 

Tributo em Bolton, UK

http://www.theboltonnews.co.uk/

 

Algumas considerações para reflectir:

 

Como encontrar as palavras adequadas para cada nível etário?  Sim, vai ser necessário falar. Mas essencialmente ouvir os alunos. E responder, deixando passar a mensagem que nem sempre temos resposta para as suas perguntas. É importante dar esse lado humano.

 

  • Se estiver em aula, solicitar aos alunos um minuto de silêncio, depois de lhes ter explicado a simbólica do gesto que poderá ser universal.
  • Ouvir o que os alunos entenderam, partindo das notícias ou comentários, imagens reais ou posters. Rectificar o que não compreenderam bem. E depois responder às dúvidas, interrogações, alguma angústia. Informações fundamentadas, ou a vossa maneira pessoal de como viveram estes dois dias.
  • Passar alguns das imagens #PrayforManchester que se vão difundindo nas redes sociais. Deixar que os alunos exprimam o que entendem de cada imagem.
  • Ligar ao atentado de Charlie Hebdo e solicitar aos alunos que se exprimam sobre valores: tolerência, respeito pela vida humana, e pela identidade cultural de cada um.
  • Fazer passar a compreensão das ideias e opiniões dos outros, fomentar o diálogo, ajudar a desenvolver o sentido crítico, a condenação de todo o tipo de intolerância, valorizar valores como solidariedade e respeito pela diferença.

 

Bem conscientes das suas responsabilidades, mais fragilizados, também, os professores apresentar-se-ão diante dos seus alunos, nas salas de aulas previamente preparados para estabelecer o diálogo.


Lembremos que todos temos alunos de várias religiões, diferentes 
etnias, nas nossas salas de aula.Todos são amigos, e se respeitam nas suas diferenças.

 

Todos nos respeitamos nas nossas diferenças, e preservamos a essência humana.

 

O mundo está mais triste. Estamos todos, hoje, menos livres, mais inseguros. Mas juntemos as nossa voz a #PrayforManchester.

 

A Professora GSouto

 

23.05.2017

 

 Licença Creative Commons

 

Lágrimas por Nice !

 

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Ataque em Nice

illustração: Plantu

https://twitter.com/plantu/

  

"Só a ignorância aceita, e o indiferentismo tolera o reinado das mediocridades."

José de Alencar

 

O mundo olhou petrificado para as imagens que chegavam de Nice, na noite da Festa Nacional de França. As televisões não paravam de nos encher os olhos com imagens chocantes, de aflição, de morte, de dor.

 

Mais uma vez a França sofreu um bárbaro ataque. Foi ontem à noite em Nice, durante a festa tradicional do 14 Julho, um ataque violento, mesmo torpe, já que se celebrava uma festa em que as famílias com crianças, algumas muito pequenas, participavam com alegria.

 

No Passeio dos Ingleses ou Promenade des Anglais, que dá sobre a baía da célebre estância turística do sul de França, centenas de pessoas, entre as quais muitas crianças, foram ceifadas com atrocidade por um camião que entrou numa área restricta.

 

 

Nice-soledad.jpg

 

Ataque em Nice

ilustração: Soledad Bravi

https://www.facebook.com/soledadbravi.officiel/

 

Há muitos portugueses a viver em Nice que contam o que sucedeu estupefactos e em estado de choque. O ataque traiçoeiro de um camião varreu literamente as pessoas, famílias, que se encontravam no Passeio dos Ingleses a usufruir de uma noite de feriado nacional, uma noite de festa.

 

Os nossos olhos em choque, continuam esta manhã horrorizados com as  imagens de ontem à noite, 14 Julho. Que desumanidade! Um homem que tem filhos, um dos quais de três, segundo o que dizem os médias, ser capaz de passar por cima de crianças com o rodado do camião que conduzia. Este pensamento não sai da nossa cabeça. Sinto-me devastada

 

Como é que ele fois capaz de fazer algo tão terrível! Continuamos sem entender. 

 

Saber que estão 28 alunos de uma escola alemã desaparecidos, e que do grupo, uma professora e dois alunos morreram,  torna tudo mais doloroso ainda.

 

Afinal parte-se em visitas de estudo, mesmo em tempo extracurricular, cheios de entusiasmo e alegria para se conhecer novas culturas. E é-se apanhado numa situração tão cruel.

 

Lamento profundamente por este grupo escolar e por todas as crianças e adultos que em tempo de lazer encontraram tão triste destino.

 

 

E os alunos?

 

Estamos nas férias grandes. Alunos já estão em férias. Apenas alguns professores continuam nas escolas até quase ao final de Julho.

 

Mas, em Setembro, os alunos voltam às escolas. Alguns terão passado pelo trauma da perda de um amigo, de um familiar. Viram e ouviram nos meios de comunicação social: jornais digitais, noticiários televisão, redes sociais. E não esquecem.

 

Conscientes das suas responsabilidades, todos os educadores, embora alguns deles também se sintam fragilizados por algum acontecimento infeliz que os tenha atingido - há sempre, um amigo, um familiar, um conhecido - estarão preparados para abordar este tema no início de do próximo ano lectivo que se inicia em Setembro.

 

O mundo continua cada vez mais triste. Estamos todos, hoje, menos livres, mais inseguros. Mas juntemos as nossa voz a #PrayforNice.

 

A Professora GSouto

 

15.07.2016

 

Licença Creative Commons